Parte III: Algumas conclusões sobre as contribuições Winnicottianas para o campo educacional

Podemos dizer que as contribuições de Winnicott para a educação são fundamentais, pois evocam o importante papel dos professores, assim como a necessidade de estudo do amadurecimento emocional do ser humano para que seja realizado um bom trabalho junto às crianças.

Não é possível uma criança aprender se não houver um bom começo. Aprender é mais do que engolir conteúdos e tirar uma boa nota. É preciso estar suficientemente amadurecido para se relacionar com o conhecimento e criar sentido para ele. O conhecimento precisa ser pessoal e ativo, ou seja, a criança precisa existir e Ser para aprender, caso contrário, estamos falando de uma educação de submissão. Sobre isto, o autor enfatiza: “a obediência traz recompensas imediatas e os adultos confundem, com excessiva facilidade, obediência com crescimento” (Winnicott, 1963/1983, p. 96).

Winnicott nos aponta muitas tarefas e responsabilidades dos professores das escola da primeira infância, dentre elas, a tarefa de fornecer “os instrumentos e oportunidades para o pleno desenvolvimento criador e intelectual da criança, assim como os meios de expressão para a sua fantasia e vida dramática.” (Winnicott, 1957/1982, p. 224) Desta maneira, os professores precisam estar atentos a cada criança, sua expressividade simbólica e conhecimento, assim como sua necessidade no grupo, a fim de proporcionar diferentes formas de brincadeira: inventiva, construtiva, livre etc.

O autor chegou a propor que a escola fizesse um diagnóstico das crianças, não para rotulá-las, mas para compreender em que fase do amadurecimento se encontram e assim poder atender suas necessidades. Evidenciou claramente que há crianças que buscam nas escolas um lar fora do lar. Ou seja, para algumas crianças, suas famílias não conseguiram suprir suas necessidades básicas e frequentemente a escola é o lugar onde elas podem pedir ajuda.

Há que se pensar os limites ou as possibilidades de intervenção e manejo dos professores junto a estas crianças, pois, por vezes, a estrutura da escola e o modo como ela funciona não permite que o professor ou a criança desenvolvam ali uma relação de cuidado tal que possa dar conta da retomada do processo de amadurecimento: número de crianças por sala, quantidade de adultos responsáveis pelos grupo, número de crianças que demandam mais assistência etc.

Referências

D. W. WINNICOTT. Moral e educação (1963). In: O ambiente e os processos de maturação. Porto Alegre: Artmed, 1983.

D. W. WINNICOTT. A criança e o seu mundo (1957). Rio de Janeiro: Zahar, 1982.

Escrito por

Isabel Valli Espíndola

CRP 12/2184

(11) 989213706

isabelvalli.psi@gmail.com

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