Parte I: O papel do(a) professor(a) no amadurecimento emocional do indivíduo

Winnicott entendia que a função da escola maternal não é de substituir uma mãe ausente, mas de ampliar e dar continuidade ao papel que só a mãe desempenha nos primeiros anos de vida da criança. Por isso se torna tão importante entender todas as fases de amadurecimento dos bebês e crianças, suas necessidade, bem como as tarefas do ambiente nesta relação.

Winnicott (1957/1982) afirma que todas as crianças entre 2-5 anos que frequentam uma escola, são de uma forma ou de outra, bebês que precisam de atenção materna. Também ressalta que poderá ter acontecido falhas maternas e, contanto que não sejam graves, a escola terá a oportunidade de repará-las. Ao contrário das mães (saudáveis), as professoras não estão devotas (não vivem a preocupação materna primária) em relação às crianças que lhe chegam na escola, mas elas podem sentir-se identificadas com as mesmas e construir boas relações de cuidado. Exatamente por isso, as professoras, orienta Winnicott, devem observar e conversar com as mães das crianças, assim como observar as próprias crianças e estudar o amadurecimento infantil para que possam oferecer o melhor cuidado para as mesmas. Somente quando os cuidados maternos foram suficientemente bons é que a professora poderá se preocupar em educar (no sentido cognitivo) as crianças.


Louis TOFFOLI

O autor diferencia três tipos de crianças que chegam à escola: aquelas cujo amadurecimento se desenvolveu de forma normal e saudável e que por isto podem usufruir dos conhecimentos e contribuir com o grupo; aquelas cujos cuidados falharam e que por isso buscam nos professores não o ensino, mas aquilo que o lar não lhes ofereceu; e as intermediárias. (Winnicott 1965/2011)

 

 

 

Sobre aquelas cujos lares falharam nos cuidados iniciais com a criança, escreve Winnicott (1965/2011):

Elas talvez exijam essa adaptação de pessoas que não são seus pais de fato. Essa adaptação ativa tardia é chamada de “mimo”, e os que mimam uma criança são amiúde criticados. E mais: como essa adaptação ativa está chegando muito tarde, a criança talvez não saiba aproveitá-la devidamente ou, se souber, poderá requisitá-la a um grau muito elevado e por um período muito longo. (p.35)

As dificuldades são evidentes quando este tipo de situação acontece, pois é justamente uma relação de dependência que a criança precisa viver com o professor. O senso comum, com frequência, julga como ruim uma criança estabelecer relação de dependência depois de já maiorzinha e, por vezes, chama-se o psicólogo ou psicanalista para dar suporte. Importante então que este profissional especialista apoie o professor a dar os “mimos” necessário para a criança, pois só assim ela poderá recuperar seu amadurecimento. Tentar “adaptá-la” ou “treiná-la” não é um caminho rumo ao amadurecimento, mas à docilização.

Ribeiro (2008) aponta que ser professor de crianças pequenas é uma enorme responsabilidade, pois é necessário recursos pessoais que possibilitem a identificação da professora para com a criança e também uma formação específica. Porém, quando pensamos na teoria winnicottiana, não estamos falando de “máquinas perfeitas” (tanto no que se refere às mães, quanto às professoras). As professoras,

assim como as mães, vão sendo guiadas pelas crianças, aprendem com os próprios erros, desde que consigam suportá-los e sejam realmente inclinadas para essa profissão, mediante condições de trabalho satisfatórias. (Ribeiro, 2008, p. 169.)

Ainda sobre as tarefas de uma professora do maternal, Winnicott escreve que esta “assume um papel de uma amiga calorosa e simpática” (Winnicott, 1957/1982, p.221). Ela será capaz de perceber o humor da criança e ser tolerante com suas incoerências, assim como estará disponível para ajudá-la em momentos de necessidades especiais. Comparando-as com as mães, as professoras possuem conhecimento técnico e atitude objetiva em relação aos seus cuidados, porém, cabe lembrar que estes não podem ser mecânicos. É preciso uma pessoa inteira para que outra caminhe rumo à integração.

Referências

D.W. Winnicott. A família e o desenvolvimento individual (1965). São Paulo: Martins Fontes, 2011.

D. W. WINNICOTT. A criança e o seu mundo (1957). Rio de Janeiro: Zahar, 1982.

Ribeiro. M. J. O início das vivências escolares: contribuições da obra do psicanalista D. W. Winnicott. In: APRENDER – Cad. de Filosofia e Psic. da Educação Vitória da Conquista Ano VI n. 11 p. 155-177 2008.

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