Cyberbullyng: A força do virtual

Há poucos meses fizemos um texto para o site do Coletivo Ser com o título “Bullyng não é brincadeira!” no qual tivemos a intenção de pontuar sobre a importância do assunto. Porém, faz-se necessário no momento atual, expor também sobre o Cyberbullyng. O cyberbullyng caracteriza-se por ser um bullyng “online” “virtual”, no qual a dinâmica de agressão, intimidação ou humilhação ocorre por meio do uso de tecnologias de comunicação: e-mails, redes sociais (whatsapp, facebook, instagram, twitter, snapchat…), sites, enquetes online. Sabendo que, na internet e no celular, as mensagens, os vídeos  e as fotos podem ser enviados e alastrados rapidamente, esse tipo de bullyng torna-se ainda mais intenso.

A questão da velocidade da propagação das informações é um fator desesperador para aquele que sofre tal violência. Além disso, por ser um espaço fora da escola e fora do contato físico, as agressões costumam tomar uma proporção mais poderosa, muitas vezes de temas que produzem mais sofrimento à vítima. Uma foto qualquer da vítima pode se tornar algo com cunho sexual, por exemplo. Isso pode acontecer muito por conta do agressor não ter uma platéia que possa vir a reprimi-lo, como seria no caso da escola. O agressor virtual pode inclusive não se identificar (criar um perfil fake ou utilizar o perfil de outra pessoa) o que gera uma sensação para o agressor de poder extrapolar qualquer limite e, por parte da vítima, uma sensação de não saber de quem se defender, causando impotência.

Outra questão importante é que tal agressão vai muito além da escola: se arrasta para outros ambientes que a vítima frequenta ou até mesmo para desconhecidos, o que faz com que a pessoa se sinta angustiada também fora da escola, e a esperança de talvez mudar de escola, de casa ou de cidade pode não se configurar mais com uma solução, já que aquele ato cometido virtualmente continua a circular pela internet.

Essa falta de limite proporcionada pela internet pode gerar uma sensação de medo com relação a comportamentos cotidianos comuns, o que pode fazer com que as pessoas fiquem um pouco mais atentas as suas atitudes para que não sejam feitas avaliações virtuais indesejadas. Mas, como a vida e as situações são naturalmente espontâneas e dinâmicas, eventualmente alguma situação pode “escapulir” do esperado por outros e, algum agressor pode ver a situação como algo possível de ser divulgado virtualmente, gerando a pessoa-vítima uma sensação de culpabilização com relação a situação vivida exposta nas redes. Culpabilizar-se pode gerar uma série de angústias e outras consequências que podem extrapolar da saudabilidade e segurança de um indivíduo. 

Existe um outro personagem nesse contexto de suma importância: o espectador. O espectador é a pessoa que recebe o conteúdo do agressor ou de outros, sujeito importante para continuidade do cyberbullyng. Muitos não perpetuam o conteúdo, apagam, não assistem, mas também não conseguem se posicionar em defesa da vítima, talvez por medo de “tomar partido” da situação. Por outro lado, existem outros que compartilham os conteúdos e/ou debocham e riem da situações junto ao agressor ou outros espectadores. Muitas vezes, essas pessoas não são vistas como agressoras, mas elas são peça chave para continuidade da agressão.  

Diante de toda essa facilidade de propagação, a ideia é que a gente possa pensar sobre o assunto a ponto de encontrarmos possíveis prevenções para o bullyng digital. Enquanto psicólogas, acreditamos que o melhor jeito de lidar com tais situações é através da fala e da escuta. É muito importante que esse assunto seja abordado em espaços que convivem principalmente com crianças e adolescentes (nas escolas e outros espaços que frequentam), o tema precisa ser abordado com cuidado, empatia e escuta ativa, para que se possa entender as possíveis situações que os jovens trazem, esclarecer algumas dúvidas e dar algum outro auxílio se necessário. Entendemos também que é necessário falar com pais e ou responsáveis sobre o assunto, pois estes são os principais responsáveis por sensibilizar e dar certos limites sobre até onde eles podem ir com relação ao uso da internet.

Acreditamos que a criação de espaços coletivos para falar sobre o tema e também a parceria de pais e responsáveis nessa empreitada seja a melhor das ações preventivas para esse ato que pode ser tão angustiante! E, claro, entendemos que caso a pessoa tenha passado por uma situação que tenha causado angústia, indicamos a busca por um bom profissional psicólogo capacitado a atender o caso!

Marina Pandolfi Miranda
Psicóloga e Orientadora Profissional
CRP 06/139717
marina.pandolfi@yahoo.com.br
(11) 94245-5396

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