“Por que? Por que?”. As crianças desejam entender o mundo e a si mesmas.

…”Por que os dedos murcham
Quando estou no banho?
Por que as ruas enchem
Quando está chovendo?” …

(Oito Anos – Adriana Calcanhoto)

Você possivelmente conhece, conheceu ou foi um Gabriel como da música da Adriana Calcanhoto. “Por que? Por que?”

Imagine que você tem 3, 4, 5… anos de vida. Concorda comigo que muita coisa ainda é novidade? Imagine ver pela primeira vez alguma coisa. É assim que as crianças estão no mundo: lidando o tempo todo com muitas novidades! Como alguma coisa funciona? Por que ela é daquele jeito? Por que não de outro? Por que? Por que?…

E como você, adulto, lida com isso? Ignora? Diz não saber (quando na verdade sabe)? Responde qualquer coisa pra criança se calar logo? É verdade que em alguns momentos elas nos colocam em verdadeiras “saias justas”, mas na verdade elas não sabem ainda distinguir os ambientes e as pessoas “adequadas” para suas perguntas.

Pois bem, é importante primeiro saber que quando uma criança faz uma pergunta, ela possivelmente já tem várias hipóteses sobre aquilo, por isso, antes de tentar responder, pode ser interessante saber “de onde aquilo vem”, sabe? Às vezes, uma pergunta diz respeito à um medo que a criança sente ou algum outro sentimento que ela não esteja conseguindo lidar e nem nomear (conhecer o mundo e a si mesmos é o que fazemos a todo instante, ainda mais quando pequenos).

Ser honesto é uma premissa, afinal, as crianças sabem bem quando não estamos sendo verdadeiros. Então, por que não dizer que podem “descobrir” juntos uma determinada questão? Para algumas delas o Google pode ser bem eficaz, para outras, nem tanto, não é mesmo?

Longe de querer dizer como vocês “devem fazer”, quero aqui deixar esse tema como uma reflexão: Até que ponto estamos disponíveis para as perguntas das crianças? Será que aquela pergunta toca em algum ponto incômodo para mim mesmo (adulto) e que eu não sei como lidar? 

E s c u t a r

Eis aí um verbo interessante quando falamos em crianças, adolescentes… HUMANOS, né?

Escutar envolve silêncio. Silêncio esse que, nos diz Rubem Alves, é também silêncio da alma. Silenciar pensamentos para que o outro seja escutado verdadeiramente, sem que enquanto o outro diz, eu já esteja pensando na minha resposta ou “complemento”. O que o outro me diz quando ele diz? Para além das palavras, que mensagem há ali? Se permitir ser afetado para então possibilitar uma troca saudável entre as partes. É preciso tempo de silêncio. “E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.” (Rubem Alves)

Dê sua opinião, compartilhe sua experiência com a gente!

Escrito por Isabel Valli Espíndola

Fontes de inspiração:

 

  • Todas as crianças que já encontrei: os Joaquins, os Franciscos, as Sofias, as Julias, os Joãos… As pequenas, as grandes e as que moram em mim
  • Música: Adriana Calcanhoto (link)
  • Perguntar Educa: o que as crianças aprendem quando fazem perguntas? (link)
  • “Por quê? Por quê?”. As crianças precisam de respostas (link)
  • Escutatória – Rubem Alves (link)

 

 

 

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