Bullying não é brincadeira!

São inúmeras e recorrentes as notícias que nos falam de crianças e/ou adolescentes que sofreram e sofrem com o bullying, quando não, cometem suicídio decorrente de tal questão. Assim, torna-se cada vez mais urgente a discussão deste tema que gera dúvidas e, por vezes, não tem a devida atenção por parte da nossa sociedade.

Bullying não é mimimi! É isso mesmo, não é frescura ou discurso politicamente correto, é um tipo de violência e precisa ser olhada com atenção, pois tem consequências graves para aqueles que sofrem.

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Contextualizando

O termo bullying surgiu em 1970 na Noruega e é utilizado para definir atitudes de violência que ocorrem de forma proposital e repetitiva contra um ou mais alunos que se encontram impossibilitados de se defender das agressões sofridas. São comportamentos que se manifestam através de: agressões física, verbais, maus tratos psicológicos e ataques à propriedade.

No Brasil, os primeiro livros a respeito do tema começaram a surgir no ano de 2000.  A Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (ABRAPIA) realizou em 2005 um estudo no Rio de Janeiro com 5.875 estudantes de 5ª e 8ª série de onze escolas fluminenses e revelou que 40,5% dos entrevistados relataram o envolvimento direto em atos de humilhação em função de deficiências físicas, obesidade ou cor da pele.

No ano de 2015 foi criada uma Lei (Nº 13.185) que institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying) e seus objetivos são:

I – prevenir e combater a prática da intimidação sistemática (bullying) em toda a sociedade;

II – capacitar docentes e equipes pedagógicas para a implementação das ações de discussão, prevenção, orientação e solução do problema;

III – implementar e disseminar campanhas de educação, conscientização e informação;

IV – instituir práticas de conduta e orientação de pais, familiares e responsáveis diante da identificação de vítimas e agressores;

V – dar assistência psicológica, social e jurídica às vítimas e aos agressores;

VI – integrar os meios de comunicação de massa com as escolas e a sociedade, como forma de identificação e conscientização do problema e forma de preveni-lo e combatê-lo;

VII – promover a cidadania, a capacidade empática e o respeito a terceiros, nos marcos de uma cultura de paz e tolerância mútua;

VIII – evitar, tanto quanto possível, a punição dos agressores, privilegiando mecanismos e instrumentos alternativos que promovam a efetiva responsabilização e a mudança de comportamento hostil;

IX – promover medidas de conscientização, prevenção e combate a todos os tipos de violência, com ênfase nas práticas recorrentes de intimidação sistemática (bullying), ou constrangimento físico e psicológico, cometidas por alunos, professores e outros profissionais integrantes de escola e de comunidade escolar.

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Grande parte dos alunos, não se envolve diretamente em episódios de bullying, mas acabam presenciando as ações agressivas do autor contra a vítima. Geralmente os alunos se calam, por receio de ser o próximo alvo. Com um grupo de testemunhas participativas, o poder de intimidação dos agressores aumenta. Os indivíduos são convencidos pelos agressores a bater, vaiar, xingar e a espalhar mensagens de conteúdo ameaçador ou difamatório nas redes sociais.

Exemplos de bullying:

  • Ataques físicos repetidos contra uma pessoa, seja contra o corpo dela ou propriedade;
  • Espalhar rumores negativos sobre a vítima;
  • Insultar a vítima;
  • Fazer com que a vítima fala o que ela não quer, ameaçando-a para seguir as ordens;
  • Chantagem;
  • Fazer comentários depreciativos sobre a família de uma pessoa, sobre o local de moradia, aparência pessoal, orientação sexual, religião, etnia, nível de renda, nacionalidade.

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Quem sofre as agressões tem muitas consequências: medo, raiva ou frustração, humilhação, rejeição, isolamento, queda no rendimento escolar e ansiedade. A longo prazo a vítima pode apresentar depressão, baixa auto estima, estresse, diminuição pelo interesse na escola, autoflagelação e tentativa de suicídio.

Importante destacar que a criança ou o adolescente que pratica o bullying também merece atenção, pois a forma violenta que se manifesta é também um pedido de ajuda.

O que fazer?

Sentindo-se intimidado, com medo e por vezes, vergonha, raramente as vítimas pedem ajuda aos pais ou aos responsáveis na escola. Mas alguns sintomas são passíveis de serem observados em crianças ou adolescentes vítimas das agressões:

  • Recusam-se a ir à escola utilizando de qualquer desculpa;
  • Apresenta humor triste, melancolia e angústia (choro, stress e impulsividade);
  • Estranha diminuição no rendimento escolar, notas baixas e dificuldade de aprendizagem;
  • Redução da socialização com colegas, isolamento;
  • Queixa-se de mal estar geral (dores de cabeça, fadiga, dor de estômago etc).

Claro, a observação deve ser cuidadosa e um dos sinais não quer dizer, necessariamente que seu filho ou aluno está sofrendo bullying.

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Pais, responsáveis ou professores, antes de repreender seus filhos ou alunos, é preciso ouvi-los com empatia e disposição de ajuda. Este precisa ser um canal de comunicação efetivo que acolhe e dá segurança à criança ou adolescente que necessita de apoio, tanto a “vítima”, quanto o “agressor”.

A escola tem papel fundamental para lidar com tais questões, pois é exatamente neste ambiente que os processos de violência costumam acontecer. Assim, a instituição deve incentivar conversas sobre o tema do bullying, ter atitudes de valorização das diferenças entre as pessoas e olhar atento e cuidadoso para com os alunos. Professores que estão diariamente com as crianças e adolescentes tem a possibilidade de identificar tais questões e podem intervir de forma a prevenir outras consequências. A resolução de conflitos por meio de diálogo tem se mostrado uma forma eficaz diante de tais questões e os adultos têm papel importante pois são eles que devem mediar a situação entre as crianças e os adolescentes.

Filmes recomendados:

  • Preciosa – Uma História de Esperança (2009) (disponível no Netflix)preciosa_filme
  • Extraordinário (2017)

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Por Isabel Valli Espíndola, Psicóloga clínica (CRP 06/122184)

Fontes e Referências:

BARROS, Paulo Cesar; CARVALHO, João Eloir; PEREIRA, Maria Beatriz Ferreira Leite Oliveira. UM ESTUDO SOBRE O BULLYING NO CONTEXTO ESCOLAR

Barbosa, E.; Santos, F. (2010). Bullying – Modelo Intervenção. Trabalho de curso disponível em http://www.psicologia.pt/artigos/textos/TL0182.pdf

SÓ, Lucas Scheila. Bullying nas escolas: uma proposta de intervenção. [Monografia] Curso de Especialização em Psicologia Escolar. Orientação: profa. Ma. Vivien Rose Bock. Porto Alegre, dez. 2010.

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