Comportamento suicida juvenil: Uma dor que pode ser prevenida.

Assunto ainda tabu, pouco entendido e falado por nós: suicídio na juventude. Falar sobre suicídio e transtornos mentais ainda é um assunto muito difícil de ser abordado, ainda mais quando diz respeito a juventude. Algumas pessoas consideram “estranho” um adolescente ou jovem adulto se sentir depressivo e ansioso, já que muitas vezes estes ainda não tem responsabilidades da vida adulta: contas a pagar, filhos, trabalho fixo… Muitas vezes entendido como “drama”, “frescura”, “só está fazendo isso para chamar atenção”, esses casos precisam ser olhados de perto. Se precisa de atenção é porque de fato necessita de atenção!

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Mas, o que tem se percebido atualmente é um aumento dos números de casos de risco e tentativa de suicídio entre os jovens. Ao que tudo indica, a estrutura atual dos colégios e das universidade têm, cada vez mais, sido repleta de pressões para a escolha do curso e para conquista de um diploma. Além disso, a ameaça do desemprego e fracasso profissional têm desencadeado a depressão, a ansiedade e o uso excessivo de medicamentos, de modo que a saúde fragilizada dos estudantes se conecta com as causas de suicídios no meio acadêmico em todo o Brasil. Segundo o Mapa da Violência, estudo feito a partir de dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, de 2002 a 2012 aumentou a taxa de suicídio entre adolescentes (dos 10 aos 19 anos) no Brasil, chegando a 792 casos. Em 2014, foram 2.898 suicídios de jovens de 15 a 29 anos – faixa etária que compreende a fase universitária. (Gomes, 2017). Mais um dado importante: de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio já é a segunda causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos no mundo, atrás somente de acidentes de trânsito.

Pais, professores, colegas de trabalho e amigos devem ficar alertas às mudanças de conduta de pessoas desta faixa etária (Geraldo, 2017). Não é raro lermos notícias de jovens que tiraram a própria vida durante a graduação. Na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por exemplo, em apenas duas semanas no primeiro semestre de 2017, foram registradas duas mortes e uma tentativa de suicídio de alunos da instituição. Na USP, houve ao menos seis casos de tentativa de suicídio entre estudantes do quarto ano do curso de medicina, em abril de 2017, reportagens vieram à tona sobre este acontecimento (Gomes, 2017). Disputas por notas, pressão para cumprir a rotina acadêmica e excesso de atividades ligadas à faculdade de Medicina da USP são alguns dos disparadores possíveis comentados. Avalia-se que a Medicina da USP está vivendo um “surto de suicídios”. Os alunos ainda falam sobre a formação de ‘panelinhas’ durante o estágio obrigatório, o que gera estresse para aqueles que não conseguem integrar um grupo, fortalecendo o sentimento de exclusão (Geraldo, 2017). Faz-se importante entender que esta questão vai muito além dos acontecimentos no curso de Medicina da USP, outros muitos casos foram relatados, vinculados ou não a universidades, na verdade o suicídio tornou-se assunto de saúde pública.

Comportamento Suicida: Como identificar?

Alguns dos sinais de comportamento suicida são mudança de comportamento, desânimo, agressividade ou impulsividade fora do comum, conversas sobre morte, automutilação e não enxergar sentido na vida, não necessariamente chorando. Há muitos outros, e cada indivíduo com a ajuda de um bom profissional pode identificar suas particularidades.

Frases como “se pudesse, eu dormia e não acordava”, “minha vida não tem sentido”, “eu sou um fardo” ou “morrer seria um alívio para mim” são sinais de alerta.

Faz-se uma correlação entre as ideações suicidas e pessoas que sofrem de algum tipo de transtorno psíquico: depressão, transtorno bipolar, dependência de substâncias psicoativas, mas isto não é uma regra. É possível que exista algum transtorno, mas não é sempre a causa.

Pessoas com ideações suicidas estão com pensamentos distorcidos com relação a sua imagem, sua eficácia, suas habilidades, também com relação à realidade e aos outros.

Buscar ajuda de familiares, amigos, profissionais como psicólogos e psiquiatras, ou entidades de valorização da vida significa um novo horizonte para uma pessoa que esteja em uma situação vulnerável.

Como buscar ajuda?

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Buscar ajuda profissional é sempre a melhor recomendação, psicólogos e psiquiatras são os profissionais indicados para cuidar desse tipo de demanda. Universidades e movimentos estudantis têm criado núcleos de apoio, atendimento e conscientização com o objetivo de prevenir e oferecer orientação sobre a depressão, o suicídio e demais doenças relacionadas. Por mais que muitos não conheçam, as Universidades costumam oferecer atendimentos em clínicas dentro do espaço universitário, geralmente esses atendimentos são feitos por alunos da graduação ou da pós graduação, que possuem apoio de professores responsáveis. A Frente Universitária de Saúde Mental, organizada por alunos de diversos cursos da USP, luta por instalações e manutenção de serviços de acolhimento dentro das faculdades e sugere uma mudança curricular que tenha em suas diretrizes a saúde mental do aluno. (Gomes, 2017). Também é possível solicitar ajuda no Centro de Valorização da Vida (CVV), que realiza apoio emocional e prevenção ao suicídio de forma gratuita, sob total sigilo, por telefone (número 141), e-mail, chat e Skype 24h todos os dias. O Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma associação composta por voluntários que estão dispostos a conversar sobre depressão e suicídio

Se você reconhecer alguma pessoa próxima que esteja com planos de tirar a própria vida, ofereça ajuda. “Estou disponível para você” e “percebo que você não está bem” são algumas das frases simples que podem fazer diferença na vida de nossos amigos, familiares e conhecidos. (Geraldo, 2017).

 

Links para acesso aos textos-base:

https://www.vix.com/pt/noticias/544494/surto-de-suicidio-na-usp-saiba-o-que-esta-acontecendo-casos-sao-pedido-de-ajuda?utm_source=Facebook&utm_medium=WidgetDown&utm_campaign=Sharing

https://catracalivre.com.br/geral/educacao-3/indicacao/por-que-universidade-esta-deixando-os-estudantes-doentes/

2 comments

  1. Bom texto! E tenho uma dúvida. que gostaria que me respondesse se possível: O suicídio é considerado um problema/transtorno mental? A psicologia/psiquiatria/medicina não considera o ato de acabar com a própria vida como uma escolha pessoal?

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    • Olá,

      A ideação suicida pode sim estar vinculada a algum transtorno mental, mas não quer dizer que necessariamente exista, precisa ser realizada uma avaliação psicológica e psiquiátrica apurada para o diagnóstico de algum transtorno.
      Enquanto profissionais de Psicologia, não consideramos que o ato de tirar a própria vida seja uma escolha pessoal, já que naquele momento o sujeito pode não estar vendo saídas para as suas questões, mas sempre existem formas de se trabalhar possíveis soluções para as angústias do indivíduo, por isso, aconselhamos buscar um profissional qualificado a acompanhar o caso para que sejam pensados outros caminhos.

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