O que muda quando um adolescente entra para uma instituição de mercado?

Já falamos aqui no blog a importância social e econômica que o programa “Jovem Aprendiz” pode proporcionar tanto para o adolescente como para a instituição que o contrata. Mas o que e como a vivência em programas similares a este podem produzir no dia-a-dia deste adolescente?

A figura de Aprendiz teve seu início no século XI, onde “Aprender significava a experiência do principiante, e sua formação não se restringia ao ensino das artes e ofícios, mas voltava-se também para o fortalecimento físico e o sentimento corporativo que privilegiava a transmissão da experiência de uma pessoa para outra” (LIMA &  MINAYO-GOMEZ, 2003, p.932).

A adolescência é conhecida como uma fase de incertezas, descobrimentos (tanto como ser social como conhecimento de si mesmo), desconfianças e produção de novos modos de viver, sentir, pensar e agir na vida.

A entrada no mercado de trabalho pode trazer uma mistura de sentimentos: a sensação de pertença em um grupo diferente, o desenvolvimento de responsabilidades outras, a sensação de independência a partir do momento em que recebem seus salários, dentre outros. Mas também podem trazer pensamentos conflitivos, como a incerteza de se manter no mercado, sobre qual profissão irá escolher e como essa decisão poderá refletir por toda sua vida. É um período de angústias, de reflexões que podem se tornar dolorosas se não forem tratadas com atenção e delicadeza que precisam.
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As instituições que contratam adolescentes aprendizes precisam se preocupar com o desenvolvimento destes atores sociais, pois a ideia de que sucesso, competência e capacidade de consumo só funcionam e só são responsabilidades individuais podem tornar o ambiente e o trabalho patológicos.

“Para alguns desses jovens, mais do que exercer uma atividade ocupacional ou ganhar uma profissão, o valor da experiência presente na condição de aprendizes consiste em extrair dessa aprendizagem seu caráter formativo” (LIMA &  MINAYO-GOMEZ, 2003, p.949).

Portanto, o desafio hoje ao falarmos sobre Jovem Aprendiz é gerar meios e maneiras de produzir saúde dentro dos ambientes corporativos, incentivar valores que não sejam individualistas, criar modos de construção do sentimento de pertencimento a algo maior e promover a sociabilidade; consequentemente podemos desenvolver neles sentimentos de autoconfiança, autoestima e valorização pessoal.

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702003000300007&lang=pt

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